Poesia

ALGUMAS POESIAS DE MANUEL BOTELHO DE OLIVEIRA

MANUEL BOTELHO DE OLVEIRA

MANUEL BOTELHO DE OLVEIRA

Manuel Botelho de Oliveira (Salvador, 1636 — Salvador, 5 de janeiro de 1711) foi um advogado, político e um poeta barroco brasileiro. Foi o primeiro autor nascido no Brasil a ter um livro publicado.

Manuel Botelho de Oliveira conviveu com Gregório de Matos e versou sobre os temas correntes da poesia de seu tempo.

A  MORTE DO PADRE VIEIRA

Fostes, Vieira, engenho tão subido,
Tão singular, e tão avantajado,
Que nunca sereis mais de outro imitado
Bem que sejais de todos aplaudido.

Nas sacras Escrituras embebido,
Qual Agostinho, fostes celebrado;
Ele de África assombro venerado,
Vós da Europa portento esclarecido.

Morrestes; porém não; que ao mundo atroa
Vossa pena, que aplausos multiplica,
Com que de eterna vida vos coroa;

E quando imortalmente se publica,
Em cada rasgo seu a fama voa,
Em cada seu uma alma fica.

MÚSICA DO PARNASO (1705)

ANARDA INVOCADA

SONETO I

Invoco agora Anarda lastimado

Do venturoso, esquivo sentimento:

Que, quem motiva as ânsias do tormento,

É bem que explique as queixas do cuidado.

Melhor Musa será no verso amado,

Dando para favor do sábio intento

Por Hipocrene o lagrimoso alento,

E por louro o cabelo venerado.

Se a gentil formosura em seus primores

Toda ornada de flores se avalia,

Se tem como harmonia seus candores;

Bem se pode dar agora Anarda ímpia

A meu rude discurso cultas flores,

A meu plectro feliz doce harmonia.

(Música do Parnaso, I, p. 11-2)

[plectro= inspiração poética]


SONETO II

Anarda vê na estrela, que em piedoso

Vital influxo move amor querido,

Adverte no jasmim, que embranquecido

Cândida fé publica de amoroso.

Considera no sol, que luminoso

Ama o jardim de flores guarnecido;

Na rosa adverte, que em coral florido

De Vênus veste o nácar lastimoso.

Anarda pois, não queiras arrogante

Com desdém singular de rigorosa

As armas desprezar do deus triunfante:

Como de amor te livras poderosa,

Se em teu gesto florido e rutilante

És estrela, és jasmim, és sol, és rosa?

(Música do Parnaso, 1, p. 12)

PONDERAÇÃO DO ROSTO E OLHOS DE ANARDA

SONETO X

Quando vejo de Anarda o rosto amado,

Vejo ao céu e ao jardim ser parecido;

Porque no assombro do primor luzido

Tem o sol em seus olhos duplicado.

Nas faces considero equivocado

De açucenas e rosas o vestido;

Porque se vê nas faces reduzido

Todo o império de Flora venerado.

Nos olhos e nas faces mais galharda

Ao céu prefere quando inflama os raios,

E prefere ao jardim, se as flores guarda:

Enfim dando ao jardim e ao céu desmaios,

O céu ostenta um sol, dous sóis Anarda,

Um maio o jardim logra; ela dous maios.

(Música do Parnaso, 1, p. 18)

SONETO XII

Tejo formoso, teu rigor condeno,

Quando despojas altamente ímpio

Das lindas plantas o frondoso brio,

Dos férteis campos o tributo ameno.

Nas amorosas lágrimas, que ordeno,

Porque cresças em claro senhorio,

Corres ingrato ao lagrimoso rio,

Vás fugitivo com desdém sereno.

Oh como representa o desdenhoso

Da bela Anarda teu cristal ativo,

Neste e naquele efeito lastimoso!

Em ti vejo a Anarda, ó Tejo esquivo,

Se teu cristal se ostenta rigoroso,

Se teu cristal se mostra fugitivo.

(Música do Parnaso, 1, p. 19-20)

ANARDA ESCULPIDA NO CORAÇÃO LAGRIMOSO

SONETO XV

Quer esculpir artífice engenhoso

Uma estátua de bronze fabricada,

Da natureza forma equivocada,

Da natureza imitador famoso.

No rigor do elemento luminoso,

(Contra as idades sendo eternizada)

Para esculpir a estátua imaginada,

Logo derrete o bronze lagrimoso.

Assim também no doce ardor que avivo,

Sendo artífice o Amor, que me desvela,

Quando de Anarda faz retrato vivo;

Derrete o coração na imagem dela,

Derramando do peito o pranto esquivo,

Esculpindo de Anarda a estátua bela.

(Música do Parnaso, 1, p. 22)

ENCARECE A FINEZA DO SEU TORMENTO

SONETO XIX

Meu pensamento está favorecido,

Quando cuida de Anarda o logro amado;

Ele se vê nas glórias do cuidado,

Eu me vejo nas penas do sentido.

Ele alcança o fermoso, eu o sofrido,

Ele presente vi9ve, eu retirado;

Eu no potro de um mal atormentado,

Ele no bem, que logra, presumido.

Do pensamento está muito ofendida

Minha alma, do tormento desejosa,

Porque em glória se vêm, bem que fingida:

Tão fina pois, que está por amorosa,

De um leve pensamento arrependida,

De um vão contentamento escrupulosa.

(Música do Parnaso, 1, p. 25)

A VIDA SOLITÁRIA

SONETO IX

Que doce vida, que gentil ventura,

Que bem suave, que descanso eterno,

Da paz armado, livre do governo,

Se logra alegre, firme se assegura!

Mal não molesta, foge a desventura,

Na primavera alegre, ou duro inverno,

Muito perto do céu, longe do inferno,

O tempo passa, o passatempo atura.

A riqueza não quer, de honra não trata,

Quieta a vida, firme o pensamento,

Sem temer da fortuna a fúria ingrata:

Porém atento ao rio, ao bosque atento,

Tem por riqueza igual do rio a prata,

Por aura honrosa tem do bosque o vento.

(Música do Parnaso, 1, p. 71-72)

A UM ILUSTRE EDIFÍCIO DE COLUNAS E ARCOS

SONETO XVII

Essa de ilustre máquina beleza,

Que o tempo goza, e contra o tempo atura;

É soberbo primor de arquitetura,

É pródigo milagre da grandeza.

Fadiga de arte foi, que a Natureza

Inveja de seus brios mal segura;

E cada pedra, que nos arcos dura,

É língua muda da fatal empresa.

Não teme da fortuna os vários cortes,

Nem do tempo os discursos por errantes,

Arma-se firme contra as leis das sortes.

(Música do Parnaso, 1, p. 19-20)

TEXTO EN ESPAÑOL

MANUEL BOTELHO DE OLIVEIRA

(1636-1711)

PONDERACIÓN DEL ROSTRO Y OJOS DE ANARDA

Cuando veo de Anarda el rostro amado,

veo el cielo al jardín ser parecido

que en el asombro del primor lucido

el sol tiene en sus ojos duplicado.

En los rostros yo juzgo equivocado

de azucenas y rosas el vestido;

porque se ve en los rostros reducidos

todo el reino de Flora venerado.

En los ojos y rostros más gallarda

prefiere al cielo cuando enciende rayos

y prefiere al jardín si flores guarda:

Dando a cielo y jardín, en fin desmayos,

el cielo ostenta un sol, mas dos Anarda,

un mayo el jardín logra; ella dos mayos.

Agradecimento:

* Pesquisa realizada no acervo da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, pela Bibliotecaria RAQUEL MENDES DE ÁVILA.

À Ilha de Maré
de Manuel Botelho de Oliveira
À ILHA DE MARÉ TERMO DESTA CIDADE DA BAHIA

Jaz oblíqua forma e prolongada
a terra de Maré toda cercada
de Netuno, que tendo o amor constante,
lhe dá muitos abraços por amante,
e botando-lhe os braços dentro dela
a pretende gozar, por ser mui bela.
Nesta assistência tanto a senhoreia,
e tanto a galanteia,
que, do mar, de Maré tem o apelido,
como quem preza o amor de seu querido:
e por gosto das prendas amorosas
fica maré de rosas,
e vivendo nas ânsias sucessivas,
são do amor marés vivas;
e se nas mortas menos a conhece,
maré de saudades lhe parece.
Vista por fora é pouco apetecida,
porque aos olhos por feia é parecida;
porém dentro habitada
é muito bela, muito desejada,
é como a concha tosca e deslustrosa,
que dentro cria a pérola formosa.
Erguem-se nela outeiros
com soberbas de montes altaneiros,
que os vales por humildes desprezando,
as presunções do Mundo estão mostrando,
e querendo ser príncipes subidos,
ficam os vales a seus pés rendidos.
Por um e outro lado
vários lenhos se vêem no mar salgado;
uns vão buscando da Cidade a via,
outros dela se vão com alegria;
e na desigual ordem
consiste a formosura na desordem.
Os pobres pescadores em saveiros,
em canoas ligeiros,
fazem com tanto abalo
do trabalho marítimo regalo;
uns as redes estendem,
e vários peixes por pequenos prendem;
que até nos peixes com verdade pura
ser pequeno no Mundo é desventura:

outros no anzol fiados têm
aos míseros peixes enganados,
que sempre da vil isca cobiçosos
perdem a própria vida por gulosos.
Aqui se cria o peixe regalado
com tal sustância, e gosto preparado,
que sem tempero algum para apetite
faz gostoso convite,
e se pode dizer em graça rara
que a mesma natureza os temperara.
Não falta aqui marisco saboroso,
para tirar fastio ao melindroso;
os polvos radiantes,
os lagostins flamantes,
camarões excelentes,
que são dos lagostins pobres parentes;
retrógrados caranguejos,
que formam pés das bocas com festejos,
ostras, que alimentadas
estão nas pedras, onde são geradas;
enfim tanto marisco, em que não falo,
que é vário perrexil para o regalo.
As plantas sempre nela reverdecem,
e nas folhas parecem,
desterrando do Inverno os desfavores,
esmeraldas de Abril em seus verdores,
e delas por adorno apetecido
faz a divina Flora seu vestido.
As frutas se produzem copiosas,
e são tão deleitosas,
que como junto ao mar o sítio é posto,
lhes dá salgado o mar o sal do gosto.
As canas fertilmente se produzem,
e a tão breve discurso se reduzem,
que, porque crescem muito,
em doze meses lhe sazona o fruito,
e não quer, quando o fruto se deseja,
que sendo velha a cana, fértil seja.
As laranjas da terra
poucas azedas são, antes se encerra
tal doce nestes pomos,
que o tem clarificado nos seus gomos;
mas as de Portugal entre alamedas
são primas dos limões, todas azedas.
Nas que chamam da China
grande sabor se afina,
mais que as da Europa doces, e melhores,
e têm sempre a vantagem de maiores,
e nesta maioria,
como maiores são, têm mais valia.

Os limões não se prezam,
antes por serem muitos se desprezam.
Ah se Holanda os gozara!
Por nenhuma província se trocara.
As cidras amarelas
caindo estão de belas,
e como são inchadas, presumidas,
é bem que estejam pelo chão caídas.
As uvas moscatéis são tão gostosas,
tão raras, tão mimosas;
que se Lisboa as vira, imaginara
que alguém dos seus pomares as furtara;
delas a produção por copiosa
parece milagrosa,
porque dando em um ano duas vezes,
geram dous partos, sempre, em doze meses.
Os melões celebrados
aqui tão docemente são gerados,
que cada qual tanto sabor alenta,
que são feitos de açúcar, e pimenta,
e como sabem bem com mil agrados,
bem se pode dizer que são letrados;
não falo em Valariça, nem Chamusca:
porque todos ofusca
o gosto destes, que esta terra abona
como próprias delícias de Pomona.
As melancias com igual bondade
são de tal qualidade,
que quando docemente nos recreia,
é cada melância uma colmeia,
e às que tem Portugal lhe dão de rosto
por insulsas abóboras no gosto.
Aqui não faltam figos,
e os solicitam pássaros amigos,
apetitosos de sua doce usura,
porque cria apetites a doçura;
e quando acaso os matam
porque os figos maltratam,
parecem mariposas, que embebidas
na chama alegre, vão perdendo as vidas.
As romãs rubicundas quando abertas
à vista agrados são, à língua ofertas,
são tesouro das frutas entre afagos,
pois são rubis suaves os seus bagos.
As frutas quase todas nomeadas
são ao Brasil de Europa trasladadas,
por que tenha o Brasil por mais façanhas
além das próprias frutas, as estranhas.
E tratando das próprias, os coqueiros,
galhardos e frondosos

criam cocos gostosos;
e andou tão liberal a natureza
que lhes deu por grandeza,
não só para bebida, mas sustento,
o néctar doce, o cândido alimento.
De várias cores são os cajus belos,
uns são vermelhos, outros amarelos,
e como vários são nas várias cores,
também se mostram vários nos sabores;
e criam a castanha,
que é melhor que a de França, Itália, Espanha.
As pitangas fecundas
são na cor rubicundas
e no gosto picante comparadas
são de América ginjas disfarçadas.
As pitombas douradas, se as desejas,
são no gosto melhor do que as cerejas,
e para terem o primor inteiro,
a vantagem lhes levam pelo cheiro.
Os araçazes grandes, ou pequenos,
que na terra se criam mais ou menos
como as pêras de Europa engrandecidas,
com elas variamente parecidas,
de várias castas marmeladas belas.
As bananas no Mundo conhecidas
por fruto e mantimento apetecidas,
que o céu para regalo e passatempo
liberal as concede em todo o tempo,
competem com maçãs, ou baronesas
com peros verdeais ou camoesas.
Também servem de pão aos moradores,
se da farinha faltam os favores;
é conduto também que dá sustento,
como se fosse próprio mantimento;
de sorte que por graça, ou por tributo,
é fruto, é como pão, serve em conduto.
A pimenta elegante
é tanta, tão diversa, e tão picante,
para todo o tempero acomodada,
que é muito avantajada
por fresca e por sadia
à que na Ásia se gera, Europa cria.
O mamão por freqüente
se cria vulgarmente,
e não o preza o Mundo,
porque é muito vulgar em ser fecundo.
O maracujá também gostoso e frio
entre as frutas merece nome e brio;
tem nas pevides mais gostoso agrado,
do que açúcar rosado;

é belo, cordial, e como é mole,
qual suave manjar todo se engole.
Vereis os ananases,
que para rei das frutas são capazes;
vestem-se de escarlata
com majestade grata,
que para ter do Império a gravidade
logram da croa verde a majestade;
mas quando têm a croa levantada
de picantes espinhos adornada,
nos mostram que entre Reis, entre Rainhas
não há croa no Mundo sem espinhas.
Este pomo celebra toda a gente,
é muito mais que o pêssego excelente,
pois lhe leva a vantagem gracioso
por maior, por mais doce, e mais cheiroso.
Além das frutas, que esta terra cria,
também não faltam outras na Bahia;
a mangava mimosa
salpicada de tintas por formosa,
tem o cheiro famoso,
como se fora almíscar oloroso;
produz-se no mato
sem querer da cultura o duro trato,
que como em si toda a bondade apura,
não quer dever aos homens a cultura.
Oh que galharda fruta, e soberana
sem ter indústria humana,
e se Jove as tirara dos pomares,
por ambrósia as pusera entre os manjares!
Com a mangava bela a semelhança
do macujé se alcança;
que também se produz no mato inculto
por soberano indulto:
e sem fazer ao mel injusto agravo,
na boca se desfaz qual doce favo.
Outras frutas dissera, porém, basta
das que tenho descrito a vária casta;
e vamos aos legumes, que plantados
são do Brasil sustentos duplicados:
os mangarás que brancos, ou vermelhos,
são da abundância espelhos;
os cândidos inhames, se não minto,
podem tirar a fome ao mais faminto.
As batatas, que assadas, ou cozidas
são muito apetecidas;
delas se faz a rica batatada
das Bélgicas nações solicitada.
Os carás, que de roxo estão vestidos,
são lóios dos legumes parecidos,

dentro são alvos, cuja cor honesta
se quis cobrir de roxo por modesta.
A mandioca, que Tomé sagrado
deu ao gentio amado,
tem nas raízes a farinha oculta:
que sempre o que é feliz, se dificulta.
E parece que a terra de amorosa
se abraça com seu fruto deleitosa;
dela se faz com tanta atividade
a farinha, que em fácil brevidade
no mesmo dia sem trabalho muito
se arranca, se desfaz, se coze o fruito;
dela se faz também com mais cuidado
o beiju regalado,
que feito tenro por curioso amigo
grande vantagem leva ao pão de trigo.
Os aipins se aparentam
coa mandioca, e tal favor alentam,
que tem qualquer, cozido, ou seja assado,
das castanhas da Europa o mesmo agrado.
O milho, que se planta sem fadigas,
todo o ano nos dá fáceis espigas,
e é tão fecundo em um e em outro filho,
que são mãos liberais as mãos de milho.
O arroz semeado
fertilmente se vê multiplicado;
cale-se de Valença, por estranha
o que tributa a Espanha,
cale-se do Oriente
o que come o gentio, e a lísia gente;
que o do Brasil quando se vê cozido
como tem mais substância, é mais crescido.
Tenho explicado as frutas e legumes,
que dão a Portugal muitos ciúmes;
tenho recopilado
o que o Brasil contém para invejado,
e para preferir a toda a terra,
em si perfeitos quatro AA encerra.
Tem o primeiro A, nos arvoredos
sempre verdes aos olhos, sempre ledos;
tem o segundo A, nos ares puros
na tempérie agradáveis e seguros;
tem o terceiro A, nas águas frias,
que refrescam o peito, e são sadias;
o quatro A, no açúcar deleitoso,
que é do Mundo o regalo mais mimoso.
São pois os quatro AA por singulares
Arvoredos, Açúcar, Águas, Ares.
Nesta ilha está mui ledo, e mui vistoso
um Engenho famoso,

que quando quis o fado antigamente
era Rei dos engenhos preeminente,
e quando Holanda pérfida e nociva
o queimou, renasceu qual Fênix viva.
Aqui se fabricaram três capelas
ditosamente belas,
uma se esmera em fortaleza tanta,
que de abóbada forte se levanta;
da Senhora das Neves se apelida,
renovando a piedade esclarecida,
quando em devoto sonho se viu posto
o nevado candor no mês de agosto.
Outra capela vemos fabricada,
A Xavier ilustre dedicada,
que o Maldonado Pároco entendido
este edifício fez agradecido
a Xavier, que foi em sacro alento
glória da Igreja, do Japão portento.
Outra capela aqui se reconhece,
cujo nome a engrandece,
pois se dedica à Conceição sagrada
da Virgem pura sempre imaculada,
que foi por singular e mais formosa
sem manchas lua, sem espinhos rosa.
Esta Ilha de Maré, ou de alegria,
que é termo da Bahia,
tem quase tudo quanto o Brasil todo,
que de todo o Brasil é breve apodo;
e se algum tempo Citeréia a achara,
por esta sua Chipre desprezara,
porém tem com Maria verdadeira
outra Vênus melhor por padroeira.

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3 pensamentos sobre “Poesia

  1. Ai a análise.
    A vida solitária fala de uma pessoa que já morreu e que esta longe do governo, num só descanso em paz, mais esta perto do céu, e longe do inferno, logo no início diz q ele era uma pessoa com doce vida, gentil e Ventura, que suave. Mas a Riqueza não era tudo simplesmente era igual a o rio prata. E o tempo passa e num descanso eterno.
    Concordam ?

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